Você tem família em Israel?

Provavelmente já perguntaram para você como o fizeram para mim, com tom de preocupação: “Você tem família em Israel?” Seguramente você respondeu assim como eu: Em Israel todos são nossas famílias.


O que podemos fazer para ajudar os nossos irmãos e irmãs na Terra Santa, que estão cercados por inimigos, vivendo sob uma mortal chuva de fogo e arriscando a própria vida para eliminar a ameaça terrorista que pende sobre nosso povo?


A resposta judaica para a adversidade em todos os tempos sempre foi de acréscimo no campo espiritual: combater escuridão com luz. Cada boa ação é uma luz, mas a mitsvá na qual este aspecto está mais enfatizado é a do acender das velas de Shabat.

Às mulheres judias foi dada a mitsvá de Nerot Shabat Kodesh (o acendimento das velas do sagrado Shabat). É interessante que as iniciais em hebraico destas três palavras são as letras Nun Shin e Kuf, que formam a palavra NeSheK, que significa arma em hebraico. Este preceito é a nossa “arma espiritual” para combater escuridão e confusão e trazer luz, clareza e tranqüilidade. O Lubavitcher Rebe, em momentos anteriores de crise, dizia: “Estando o mundo tão submerso na obscuridade e confusão, é imperativo que a mulher judia o ilumine com esta sagrada luz”.

Podemos formar uma corrente de força espiritual acendendo as velas de Shabat na hora prescrita, antes do pôr-do-sol, pronunciando a Brachá (benção) e utilizando estes momentos sagrados de Et Ratson (hora de benevolência e graça Divina) para proferir as nossas orações e pedidos para que D-us dê firmeza aos nossos governantes e exército. Que Ele trave a nossa batalha, subjugue o reino da iniqüidade e anuncie uma nova era de verdadeira paz e compreensão entre todas as nações. Em preparação para esta mitsvá, podemos colocar algumas moedas na caixinha de Tsedacá (caridade), pois esta mitsvá reforça a nossa “armadura” espiritual de proteção.


Como uma extensão desta luminosa mitsvá, podemos, ainda, estender uma toalha branca na mesa, em baixo da bandeja com os castiçais, e providenciar vinho Casher para recitarmos o Kidush (benção) e duas Chalot (pães trançados) para fazermos o Hamotsi (benção). Podemos desligar a televisão, computador e telefone. Saborear um jantar gostoso (preparado durante o dia) e ler um pensamento da porção semanal da Torá (facilmente encontrado na internet, www.chabad.org.br). Deixar que a alegria do Shabat, uma sexagésima parte da alegria do Mundo Vindouro permeie o nosso lar e subseqüentemente coloque um fim a este capítulo triste da história do nosso povo e da humanidade.


Os nossos sábios ensinam que ao guardarmos o Shabat desencadeamos uma energia que é vital para a harmonia e bem estar e até a contínua permanência do nosso universo! O Ohr HaChaim, (comentarista da Torá) elucida que no princípio D-us criou o universo com a capacidade de existir por apenas seis dias, após qual Ele criou um dia - o Shabat – que a cada semana infunde o universo com nova vitalidade, possibilitando a sua existência para mais seis dias. Este efeito do Shabat pode realizar-se quando observado como D-us pretendia, pela nação judaica que aceitou o seu mandamento e honra à sua observância. Sem o povo judeu não há Shabat e sem Shabat não há universo.

Os mestres de Cabala ensinam que há três categorias inerentes na Criação: Olam, Shana, Nefesh — espaço, tempo e alma. Cabe ao ser humano infundir santidade e propósito nestas três categorias. Santidade em lugar é mais pronunciada em Israel, em tempo é encontrada no Shabat e nos dias santificados. Em alma, o grau mais alto de santidade é representado pela nação que escolheu a D-us e por sua vez foi escolhido por Ele para receber a Sua Torá e manter acesa a Sua missão espiritual para toda humanidade. Israel, o Shabat e o povo judeu são nascentes de santidade para toda a criação, sendo que, de acordo ao Reishit Chochm, é do Shabat a fonte do qual Eretz Yisrael e Am Yisrael derivam sua própria santidade.

Shabat vem da raiz Shuv, ligado com Teshuvá que significa – retorno. É o dia em qual nos afastamos das preocupações e exigências do mundo material que prende a nossa energia e atenção a ponto de nós presumirmos que ele é a única realidade da nossa vida. Retornamos ao conceito eterno, que o mesmo D-us que criou o mundo, o criou e a nós também para Sua glória. Shabat declara que D-us é o Artesão deste mundo que tanto nos seduz e consome. Ele criou o mundo e se ocultou dentro dele para termos o desafio de descobrir e revelar a presença d’Ele apesar das ocultações. D-us abençoou e santificou o dia de Shabat para que este dia pudesse nos elevar e nos retornar à nossa raiz divina. Shabat é o dia quando a venda é removida dos nossos olhos e podemos sentir a verdade. Nossos sábios ensinam que a Redenção final é trazida pela escrupulosa observância do Shabat. Galut, o Exílio e a crueldade e opressão a ele associado, são fenômenos físicos. São apenas manifestações externas de uma deficiência espiritual. O fator determinante não é geográfico e sim espiritual. Na sua raiz, Galut é a falta de consciência da presença de D-us. Na medida em que O percebemos, somos unidos a Ele. Na medida em que falhamos em reconhecer a sua Onipresença, somos exilados d’Ele. Shabat é o dia que reforça o conhecimento que D-us é o Criador e a Sua vontade é a essência da Criação. Ao percebermos a Presença Divina como uma Realidade, as barreiras do exílio físico desvanecem de si só e a Redenção espiritual já está à mão. Possa o Misericordioso D-us nos fazer herdar O Dia (Era Messiânica) que será Shabat e repouso para a vida eterna!

* Tila Dubrawsky é esposa do rabino Yossef Dubrawsky, diretor do Beit Chabad de Curitiba, mãe, avó, coordenadora de programas educacionais e culturais, orientadora de pureza e harmonia familiar para noivas e mulheres de todas as idades. (Baseado no livro “Shabat”- o seu significado, de Artscroll Mesorah Series).

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