Shabat Shalom
Rabi Akiva, um dos mais destacados sábios do Talmud, era analfabeto quando jovem. Trabalhava para o abastado Kalba Savua, cuja bela filha, Rachel, reconheceu o potencial em Akiva e ofereceu-se para desposá-lo se ele adotasse o estudo de Torá. Kalba Savua ficou furioso, e expulsou a ambos. O casal vivia em abjeta pobreza.
Akiva foi então para Jerusalém e logo se destacou no estudo de Torá, terminando por atrair muitos discípulos. Depois de doze anos, voltou para casa com um séquito de seguidores.
Akiva entreouviu um vizinho admoestando sua esposa por permitir que o marido ficasse ausente por tanto tempo, e Rachel respondeu: "Eu concordaria que ele se ausentasse por mais doze anos, para aperfeiçoar seu estudo de Torá." Isso foi exatamente o que Rabi Akiva fez.
Anos depois ele voltou, acompanhado por uma multidão de alunos. Quando Rachel aproximou-se para saudá-lo, os estudantes a impediram de chegar perto do mestre. As palavras de Rabi Akiva a seus discípulos são imortais. "Tudo que sei da Torá, e tudo aquilo que vocês sabem da Torá, podemos atribuir a ela."
O Valor do Tempo
Quanto valor damos ao tempo? É possível que existam pessoas que "matam" o tempo?
O Gaon de Vilna era meticuloso em evitar até mesmo um único momento de ociosidade. Ele costumava somar os minutos que tinha passado sem estudo de Torá. No final do ano, o total para o ano inteiro seriam algumas horas. Ele então subtraía este tempo de suas horas de sono, e ficava acordado por algumas horas adicionais para estudar Torá.
Após uma longa separação, a irmã do Gaon foi visitá-lo. Ele se levantou e recitou a bênção designada para encontrar alguém de quem se estava distante por um ano ou mais. Ele disse então: "Minha querida irmã, no Mundo Vindouro teremos bastante tempo para nos visitar e conversar. Neste mundo, cada momento disponível deve ser usado para o estudo de Torá." E voltou imediatamente para seus estudos.
Podemos não ser capazes de atingir a concepção do Gaon sobre o valor do tempo, mas nem por isso devemos desperdiçá-lo à toa.
A Roda da Fortuna
Todas as obras éticas da Torá enfatizam a importância da humildade e a repugnância da vaidade.
Rabi Akiva foi certa vez ao mercado, a fim de encontrar um comprador para uma pedra preciosa. Um homem mal vestido que estava sentado entre os pedintes disse que desejava comprá-la. Rabi Akiva pensou que o homem estivesse zombando dele.
O homem levou Rabi Akiva até uma mansão. Quando entrou, um criado trouxe-lhe uma cadeira dourada. Abriu um baú de dinheiro e comprou a pedra preciosa.
Os servos prepararam uma mesa opulenta para Rabi Akiva, e serviram uma refeição suntuosa. "Não entendo isso" - disse Rabi Akiva. "Se você é tão rico, por que se associa com os mendigos?"
O homem respondeu: "Rabi, minha fortuna poderia facilmente subir-me à cabeça e fazer-me pensar que sou melhor que os pobres. Fomos todos criados de maneira igual. Por algum motivo, D'us quis me abençoar com riquezas. Eu me junto aos pobres para que meu dinheiro não me torne um homem vaidoso."
Continuou o homem: "Além disso, o mundo é cíclico. Hoje sou milionário, amanhã posso ser um mendigo. Se isso acontecer, já tenho meu lugar reservado entre os pobres" (Menorat Hamaor 332).
De todo coração
O Báal Shem Tov demonstrava muito carinho pelas pessoas simples. Sentia que sua piedade e devoção a D'us era sincera.
Certa vez, o governo expediu um de seus numerosos decretos anti-semitas. Os judeus reuniram-se na sinagoga para rezar pela Divina misericórdia, para que os decretos fossem revogados. Era a sinagoga onde o Báal Shem Tov liderava as preces. Os lamentos e as ardentes preces de Tehilim eram de partir o coração. A atitude do Báal Shem Tov era solene. Estava evidente que ele sentia que as preces não estavam sendo bem recebidas. "Existe algum obstáculo para que nossas orações ascendam até D'us" - disse ele, e pediu que a congregação intensificasse as preces.
De repente, ouviu-se a voz de uma mulher acima das orações. "Pai Celestial!" disse ela. "Sou mãe de sete filhos. Quando eles choram por comida e nada tenho para lhes dar, meu coração fica partido. Eu faria tudo no mundo para conseguir comida para eles. E Tu, Pai Celestial, escutas os gritos de milhares de Teus filhos implorando por ajuda. Tu és Todo Poderoso. Podes realizar tudo. Como podes não responder aos gritos de Teus filhos?"
O rosto do Báal Shem Tov resplandeceu. "Nossas preces romperam todos os obstáculos. Tenho certeza de que o perverso decreto será revogado."
Este tipo de sinceridade simples e pura era muito cara ao coração do Báal Shem Tov.
Um meio ou um fim
Rabino Mendel de Vorka gostava de citar o Midrash que declara que o homem foi criado no último dos seis dias portanto, caso se comportasse bem, lhe seria dito:
"Você chegou por último porque é o supremo propósito de toda a Criação. Tudo o mais veio antes de você, para que tivesse tudo aquilo de que precisa." Se alguém se comporta mal, diz-se a ele: "Até os insetos o precederam!" (Sanhedrin 38b).
Rabino Mendel explicava que D’us podia dar a uma pessoa a idéia de comprar um cavalo, para que tivesse um meio de sustento com o animal e a carroça. O cavalo é um meio para o bem-estar da pessoa.
Por outro lado, D’us pode plantar a idéia de comprar um cavalo porque Ele deseja que o animal seja abastecido com feno. Ambas as pessoas fazem a mesma coisa. Em um caso, o cavalo é um meio, no outro é um fim.
A maneira de a pessoa agir determina se está aqui meramente para servir o mundo, ou se o mundo está aqui para servi-la.
*De www.chabad.org.br
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Sua referência anti-missionária em língua portuguesa
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