Redescobrindo o Judaísmo
Como muitos judeus russos de sua idade, 28 anos, Alexander Kaller sempre ensina seus pais e pessoas idosas sobre seu legado – uma religião e cultura proibidas durante a maior parte da vida deles. Rabino em uma das poucas sinagogas que utilizam o idioma russo nas Ilhas Sunny no sul da Flórida, Kaller cresceu enquanto a União Soviética entrava em colapso e a repressão do governo aos judeus se desintegrava.
Ele tinha idade suficiente para se lembrar dos arquivos de estudantes e de um passaporte interno que o rotulava como judeu, mas é suficientemente jovem para ter recebido a educação religiosa que seus pais e avós nunca puderam desfrutar sob o regime soviético.
| "Quase perdemos o Judaísmo na Rússia; mais uma geração de comunismo e a maioria dos judeus teria perdido sua identidade judaica." |
Sentado em seu escritório nas Ilhas Sunny, Kaller explicou que somente foi circuncidado aos 14 anos. E sua experiência não era incomum. Um brit – a cerimônia de circuncisão tradicional feita num bebê do sexo masculino aos oito dias de idade – podia levar um pai para a cadeia na antiga União Soviética.
"Fizemos recentemente circuncisões num rapaz de 20 anos, outro com 30 e um terceiro com 59," disse Kaller. "Na Rússia, dirigi um acampamento para meninos judeus e circuncidamos mais de 50 meninos."
| Um brit milá podia levar um pai para a cadeia na antiga União Soviética." |
"O resultado é que os papéis se inverteram: é o jovem que está mostrando o caminho para mães e pais," disse Lazar. Ele é um dos mais influentes líderes judeus atualmente na Rússia.
Ele também é rabino do Movimento Chabad-Lubavitch, um ramo do Judaísmo com mais de 200 anos que está promovendo a reconstrução de muitas comunidades judaicas na Europa Oriental e Ocidental. Chabad tem colocado centenas de milhões de dólares na reconstrução de sinagogas e centros comunitários, recuperando Torot perdidas e equipando comunidades com rabinos.
"Sempre houve Chabad na Rússia, eles sempre estiveram em movimentos subterrâneos, e é isso que lhes dá credibilidade," disse Kaller. "Eles são a razão de eu ter voltado ao Judaímo. Foram os programas de Chabad que despertaram o meu interesse, que me deram a orientação que eu precisava."
Embora seus pais nunca tenham perdido sua identidade judaica – afinal, estava carimbada em seus passaportes – eles não eram religiosos e sabiam muito pouco sobre a cultura judaica. Quando seu filho começou a freqüentar um programa religioso em Moscou, eles começaram a aprender mais.
"Comecei a me tornar religioso aos 14 ou 15 anos, e foi muito difícil para meus pais entenderem," recorda Kaller. "Era um tanto estranho para eles. Eles ficavam sempre nervosos, porque não era a melhor carreira a seguir. Agora sou eu que os influencio a se tornarem um pouco mais observantes e a serem mais ativos em seu Judaísmo."
| "Sempre houve Chabad na Rússia, eles sempre estiveram em movimentos subterrâneos, e é isso que lhes dá credibilidade" |
"O que aconteceu em Israel me fez pensar sobre o fato de ser judeu, portanto decidi ir até a sinagoga. Fui lá à noite. Na manhã seguinte o reitor da universidade me chamou e disse que sabia o que eu tinha feito. Eu tinha sido vigiado e visto lá. Ele disse: 'Você precisa mesmo fazer isso?' Ele deixou claro que se eu queria continuar na escola e ter uma carreira, não era uma boa idéia ir até lá."
Isso parece história antiga para a irmã mais nova de Alexander, Anya, que como muitas judias russas mais jovens, já sonhou em imigrar para Israel ou para o sul da Flórida. Agora ela quer ficar na Rússia. É estudante de Psicologia na Escola Superior de Economia, trabalha meio-período na Agência Judaica em Moscou e não vê o fato de ser judia como um obstáculo. Na verdade, disse ela, pode ser uma vantagem."As pessoas na universidade sempre me dizem que é legal ser judeu – eles estão curiosos sobre isso," disse Anya Kaller, de 18 anos. "Tive amigos que imigraram para Israel e agora desejam voltar. Eles sentem muita falta daqui.
"Há cinco anos, eu queria ir para Israel ou para os Estados Unidos, mas não quero mais," acrescenta ela. "Não desejo viver em nenhum outro lugar. Amo este país. Adoro ser judia aqui. Não quero ser judia em nenhum outro lugar."
*Por Tim Collie – extraído de South Florida Sun-Sentinel