8 - ESTUDO DO EVANGELHO DE MATEUS - Isaias Cap.53:4
Judaísmo Messiânico Não Existe
O autor de Mateus para dar veracidade ao seu texto na Brit Cadashá (Novo Testamento) cita como referência o profeta Isaias (Ieshaiáhu) Capítulo 53 Versículo 4
Mateus 8:14-17:
Foi então Yeshua à casa de Pedro, cuja sogra estava de cama, com febre. Tomou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela levantou-se e pôs-se a servi-los. Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos. Assim se cumpriu a predição do profeta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53:4). Em verdade ele tomou sobre si, nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado.
Isaias 53:4
Na verdade, eram os nossos sofrimentos que suportava, e as dores que o oprimiam, mas nós o considerávamos um ser aflito, golpeado e ferido por D’us.:
Os missionários messiânicos vêem com tanta certeza Yeshua nesta passagem do Tanach que não compreendem o porque de judeus não abraçarem sua interpretação. A razão, simples, é que, somos judeus pelo judaísmo. Mas para uma análise mais profunda devemos primeiramente entender a divisão capitular do Tanach.
A divisão em versículos e capítulos não é judaica, as primeiras impressões do Tanach com este sistema só aparecem em fins do século 15 da era comum. Esta divisão é bem aleatória, imprecisa (propositalmente) e causadora de inúmeras distorções. Só foi adotada também nos círculos judaicos no decorrer dos últimos séculos nas edições modernas do Tanach, isso se deve, provavelmente, á sua funcionalidade, e constitui uma “ponte” entre diferentes culturas ao Livro dos Livros. Um entre tantos exemplos desta aleatoriedade é o início do capítulo 53 de Isaías, exatamente 3 versículos após o início de uma profecia (Is: 52:13), dando a entender ao leitor menos habituado com as Escrituras que ali tem início uma outra profecia totalmente desvinculada da anterior. Esta tentativa de desvincular é intencional, com o objetivo de forçar Yeshua, como Mashiach.
Os cristãos afirmam que Yeshayáhu (Isaías) 53 refere-se a Jesus. Na verdade, Yeshayáhu 53 segue diretamente o tema do capítulo 52, descrevendo o exílio e a redenção do povo judeu. As profecias são escritas na forma singular porque os judeus (Israel) são considerados como sendo uma unidade.
Apresentar o servo sofrendo pelos pecados da humanidade como sendo uma referência ao Mashiach, como, é claro, ensinaram os primeiros cristãos, que acreditavam ser Iehoshua o referido Mashiach (Atos dos Apóstolos 8,35-37) é distorcer as Escrituras. No Judaísmo o Mashiach não vem pra levar nossos pecados, ao contrário, ele virá quando vencermos nossos vícios.
Em seu processo contínuo de distorção, os apologistas cristãos ensinam que só a partir do século XII é que surgiu a opinião de que a palavra meu servo em Isaías 52:13 se refere à nação de Israel, e que esta passou a ser interpretação dominante no Judaísmo. Isto logicamente é uma tentativa desesperada quando outros argumentos não convencem. Segundo eles, a expressão meu servo é diferente da expressão meu povo que aparece em Isaías 53:8. Segundo estes apologistas, trata-se de uma pessoa ou de uma vítima inocente, o que não significa toda a nação israelita. Tal argumento surge devido à passagem de Isaías 53:9, passagem que fala de alguém que foi sepultado ao lado de facínoras. Interessante que de todas as maneiras, distorcem o texto para aplicá-lo a Iehoshua de Nazaré, quando, na realidade, se refere especificamente à nação de Israel.
Também encontramos que os capítulos de 40 a 55, escritos na época do exílio na Babilônia são apresentados mensagens de esperança e consolação a Israel. Nas passagens destes capítulos, o fim do exílio é visto como um novo êxodo e, como ocorreu no primeiro, o Eterno foi o condutor e a garantia desta nova libertação. O povo judeu oprimido é denominado Servo do Eterno, expressão que reforça mais ainda o caráter judaico da interpretação desta passagem.
Vale a pena acrescentar que a palavra servo é utilizada em outras ocasiões, como por exemplo, em Isaías 42:1-4; 49:1-6; 50:4-9 e 52:13-53:12. Nestes versículos é descrita a vocação de Israel como servo do Eterno. Os autores da Brit Cadashá viram no servo, por excelência, os sofrimentos e a morte de Iehoshua como remissão para os pecados. Ora, entender tal passagem como sendo aplicada a Iehoshua não significa que a profecia seja a respeito dele. Quanto ao fato da palavra servo se referir a uma pessoa em particular, tomamos como exemplo Ciro, rei da Pérsia. Na passagem de Isaías 44:28 ele é intitulado Pastor, e, mais especificamente, em Isaías 45:1 ele é intitulado Ungido. Diante destas informações os autores do Evangelho de Mateus atribuíram estes títulos a Iehoshua de Nazaré.
Em Isaias 53:3 está assim:
Foi depreciado por todos como uma pessoa atormentada e constantemente enferma, como alguém de quem escondemos nossa face, sendo desprezado e desconsiderado.
Nesta parte do capítulo fica bem claro que não se trata de uma pessoa que fala Isaias pois ele diz foi “depreciado por todos como uma pessoa...” Ele não diz "foi uma pessoa depreciada por todos" ou "foi depreciado por todos" Logicamente que este pequeno e importante detalhe não é vislumbrado e nem interessa aos missionários entrar neste aspecto, sempre contado é claro com com a falta de informação do judeu abordado.
Logicamente que a leitura completa a partir do capítulo 52 como é deve ser esclarece definitivamente esta dúvida.
Isaias 52:1
Desperta, desperta, reveste-te de tua fortaleza, ó Tsión! Veste-te com as roupas de tua glória, ó Jerusalém, cidade santa! Pois não mais tornará a entrar em ti nem incircunciso nem impuro.
Isaias 52:6
Portanto, farei MEU POVO saber Meu Nome; ele saberá, então, naquele dia, que sou Eu Quem fala!
Isaias 52:9
Prorrompei em cânticos, cantai com júbilo, exultai juntas, ó ruínas de Jerusalém; porque o Eterno confortou SEU POVO e redimiu Jerusalém!
Isaias 52:10
O Eterno descobriu o Seu santo braço aos olhos de todas as NAÇÕES, e todos os confins da terra verão a salvação que vem de nosso D’us.
Isaias 52:11
Retirai-vos, deixai as terras de OUTROS POVOS, saí de lá, não toqueis coisa impura; saí do meio dela; purificai-vos; vós que transportais os objetos sagrados do Eterno.
Isaias 52:12
Pois não saireis apressadamente nem vos ireis fugindo; porque o Eterno é Quem irá diante de vós, e o D’us de Israel será vossa retaguarda.
Indiscutivelmente, Isaias esta falando aqui da volta dos Judeus a Jerusalém e sobre o começo da Era Messiânica.
Os missionários afirmam que, com o versículo seguinte (Isaias 52:13), o sujeito em discussão muda de repente de Israel para Yeshua!
Isaias 52:13
Eis que há de prosperar Meu servo; será exaltado e há de se elevar bem alto
Isaias 52:14
Assim como antes, multidões ficavam estarrecidas ao vê-lo, ‘Sua aparência está desfigurada e não parece humana sua forma’
Isaias 52:15
Assim, muitas nações admirar-se-ão depois, e reis se calarão perante ele, porque verão o que jamais lhes fora previsto e perceberão o que nunca havia escutado:
Perceba que após este versículo não existe um ponto final e sim o sinal de dois pontos deixando claro que o “pensamento” e raciocínio da frase continua. E realmente prossegue pois, como aprendemos no início, esta divisão capitular não existe no original, foi adotada e sua realização foi feita de forma aleatória e mal intencionada.
Isaias 53:1
Quem teria acreditado no que nós (as nações) ouvimos, e para quem foi revelada a ação do Eterno?
Isaias 53:2
Porque ele (o povo de Israel) brotou como planta tenra e como raiz em terra seca. Não tinha nem forma nem beleza; era visível que não tinha boa aparência; quem apreciaria?
Isaias 52:3
Foi depreciado e abandonado por todos, como uma pessoa atormentada e constantemente enferma, como alguém de quem escondemos nossa face, sendo desprezado e desconsiderado.
Isaias 53:4
Na verdade, eram os nossos sofrimentos (das nações) que (Israel) suportava, e as dores que o oprimiam, mas nós o considerávamos um ser aflito, golpeado e ferido por D’us.
E assim segue a passagem, Isaias falando da volta dos judeus.
Na interpretação missionária aparece inconvenientes que eles não conseguem explicar, e quando tentam, apresentam absurdos maiores.
Primeiro
Ao negar a continuidade do capítulo 53 como origem no capítulo 52 os missionários afirmam com isso não se tratar de Israel, mas sim de uma pessoa pois diz no versículo 9 "E seu túmulo foi feito entre os malévolos...” O inconveniente é que mesmo que se tratasse de uma pessoa não poderia ser Yeshua pois ele não foi enterrado, foi colocado em uma tumba. E mesmo que fosse Yeshua entraria em contradição com a própria Brit Cadashá que diz "Ele foi enterrado no túmulo de um homem rico (Mateus 27:57-60) . Percebam a contradição.
Pensando um pouquinho você vai se perguntar: Ele foi enterrado ao lado de facínoras ou de um homem rico?
Segundo
Em NENHUM lugar no Tanach o Mashiach é chamado diretamente "o servo de D'us", porém Israel, é chamado de "servo" em diversas ocasiões diferentes e especialmente no livro de Isaias;
Mas tu, Israel, servo Meu...
Isaias 41:8
Vos sois as Minhas testemunhas – diz o Eterno – Meus servos a quem escolhi...
Isaias 43:8
Contudo, ouve agora, ó Jacob, Me servo; ó Israel, a quem escolhi
Isaias 44:1
Lembra-te destas coisas, ó Jacob, porque tu és o Meu servo, Ó Israel! Eu te formei para ser o Meu servo; não me esqueças, ó Israel.
Isaias 44:21
Terceiro
O mesmo profeta Isaias muito antes do capítulo 52 descreve uma série de “tarefas” que o Mashiach irá desempenhar e que estranhamente os missionários messiânicos não justificam o porque do não cumprimento na pessoa de Jesus.
"Nação não erguerá a espada contra nação, nem o homem aprenderá a guerra." (Yeshayáhu 2:4)
Trazer em vida os judeus de volta a Israel (Is-11:12)
Construir o terceiro templo em Jerusalém (Is-33:20)
Reunir Judá e Israel em um só povo (Is-11:13)
Ressurreição dos mortos (todos os mortos!!) (Is-26:19)
Todos nós sabemos que Yeshua não desempenhou nenhuma destas "tarefas." Como os missionários explicam estas “faltas”? Com as desculpas mais absurdas. Uma delas é que Yeshua fará isto numa segunda vinda, fato que embola mais o contexto pois, Mashiach não virá duas vezes.
Sacrifício humano é proibido no Judaísmo, e com isso aí aparece estas perguntas:
1)Onde diz na Torah que "sangue humano" é que expia o pecado pessoal?
2)Onde diz na Torah que o sangue de outro, expia meu pecado?
3)Onde diz na Torah que o Mashiach deixará seu sangue para expiar os pecados alheios?
A Torá não menciona ligação entre o Mashiach e os sacrifícios, no sentido de um "expiar" pelo outro. Ao contrário, sempre os sacrifícios que expiam os NOSSOS pecados. Qualquer mudança nisto são interpretações missionárias para "validar" ensianmentos contrários aodeles.
