1 - ESTUDO DO EVANGELHO DE MATEUS - Profeta Isaias (Ieshaiáhu) Cap. 7: 14.

1 - Estudo de Mateus Capítulo 1, Versículos 22 a 23

Judaísmo Messiânico Não Existe
O autor de Mateus para dar veracidade ao seu texto na Brit Cadashá (Novo Testamento) cita como referência o Profeta Isaias (Ieshaiáhu) Capítulo 7: Versículo 14.


Mateus 1:22-23
“ Tudo isto aconteceu para se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel" (Is 7:14), que significa: Deus conosco.

Isaías 7:14
"Eis pois que o Eterno, Ele mesmo, vos dará um sinal: eis que a moça grávida dará à luz um filho e o chamará Imanuel."

Na análise desta passagem percebemos que ela não diz respeito a Iehoshua. Para uma melhor compreensão e para que não haja dúvidas, precisamos discutir o início deste versículo, já que esta parte é sempre omitida pelos missionários cristãos. Como afirmado em Isaías 7:14 (acima), o Eterno prometeu que daria um sinal.

Mas a quem daria o sinal e por quê deste sinal? Estas perguntas são muito importantes pois a resposta a elas deixa claro que esta passagem não tem nada a ver com Jesus.

Para conhecer as respostas, recorremos às informações da própria Bíblia, mais precisamente no (2)Capítulo 7:1-9 do livro de Isaías.

[1]E aconteceu de Achaz bem Iotam, neto de Uziáhu, rei de Judá, que Retsin, o rei de Aram, e Pecach bem Remaliáhu, o rei de Israel, subiram a Jerusalém para lutar contra ele, mas não conseguiram prevalecer. [2] E foi dito à Casa de David:’Aram estabeleceu uma alinaça com Efraim’. Ante isso, seu coração e o de todo o povo se abalou tal como se abalam as árvores da floresta ante o soprar do vento. [3] Disse então o Eterno a Isaías: Vai ao encontro de Achaz, junto com Shear Iashuv, teu filho, na borda do canal dos reservatório elevado, na estrada das lavanderias, [4] e diz-lhe: ‘Fica tranqüilo, não temas nem deixe que se inquiete teu coração ante as fagulhas destas duas brasas fumegantes, da ira exaltada de Retsin e Aram, e do filho de Remaliáhu’. [5]Porque Aram, juntamente com Efráim e o filho de Ramaliáhu, propuseram fazer mal a ti dizendo:[6]’Provocaremos e atacaremos Judá, anexá-lo-emos e coroaremos ao filho de Tav’al como seu rei’. [7]Mas assim disse o Eterno D’us: Isto não ocorrerá nem virá a acontecer! [8] Pois a capital de Aram é Damasco e sua cabeça é Retsin; dentro de mais 65 anos, Efráim deixará de ser um povo. [9]E a capital de Efráim é Shomron e sua cabeça é o filho de Remaliáhu. Se nisto não acreditares, é porque te falta fé.(Isaías 7:1-9)

Para compreender o contexto desta passagem.

Naquela época, o Reino do Norte (Efraim) se aliou a Retsin, rei de Aram em uma tentativa de se libertar do perigo assírio. Como o Reino do Sul (Judá) não participou da coalizão entre o Reino do Norte e Aram, estes dois temeram que o Reino de Judá se tornasse aliado da Assíria. Assim, eles resolveram atacar o Reino do Sul, para destronar o rei Achaz e colocar no seu lugar o filho de Tav’al rei de Tiro. Achaz, temendo ser cercado pelos exércitos adversários, efetuou uma verificação da reserva de água da cidade de Jerusalém. Mas Isaías vai ao seu encontro e tranqüiliza o rei Achaz, mostrando que não haverá perigo, pois continua válida a promessa de que a dinastia do rei Davi será preservada, desde que se confie totalmente nas providências do Eterno.

O sinal prometido a Achaz é o seu próprio filho, do qual a rainha, uma jovem, (e não virgem) está grávida. Este menino, que está para nascer, é o sinal de que o Eterno continua permanecendo no meio do seu povo. Daí o nome Emanuel, que significa Deus Conosco.

Assim, de acordo com o contexto do Capítulo 7:1-9 do livro de Isaías, observamos que o Eterno promete um sinal ao rei Achaz e este sinal é justamente o filho do próprio rei que está por nascer. Logicamente que os missionários omitem esta parte e afirmamos que isto é distorção da interpretação do texto.

É bom lembrar e informar que o desenrolar destes fatos foi uma previsão que se realizou em pouco tempo, e não uma previsão para um acontecimento futuro bem longínquo, como ensinam e insistem os apologistas cristãos, ao atribuírem tal profecia a Iehoshua de Nazaré, que apareceu no cenário uns 700 anos após estes acontecimentos.

Vale ainda acrescentar que o nome hebreu Iehoshua significa Deus é Salvação, diferente do nome Emanuel, que significa Deus Conosco, que é o nome mencionado na profecia de Isaías 7:14.

Ainda com relação ao nome Emanuel, vale acrescentar que este é o nome dado por Isaías a uma futura criança cujo nascimento será, para o rei Achaz, o sinal da assistência divina, como afirmado em Isaías 7:14-17.

[14] Eis pois que o Eterno, Ele mesmo, vos dará um sinal: eis que a moça grávida dará à luz um filho e o chamará Imanuel.[15]Quando ele souber evitar o mal e escolher o bem, alimentar-se-á de nata e mel. [16] Pois ainda antes de saber afastar o mal e escolher o bem, a terra cujos os dois reis tu temes estará completamente abandonada [17] O Eterno trará para ti, para teu povo e para a casa de teu pai, dias como ainda não haviam ocorrido desde o dia em que Efráim se separou de Judá: a invasão do rei da Assíria.


Conclusão do Estudo

O reino de Judá é ameaçado pelos sírios e efraimitas que, aliados, desejavam opor-se à dinastia reinante, a mesma dinastia que também se beneficia das promessas feitas a Davi. Em vez de dar crédito a estas promessas, Achaz pediu ajuda a Assíria, mas Isaías condenou este modo de agir do rei e proclamou que o Eterno estaria presente, que Ele estaria do lado do Reino de Judá, ou seja, que D’us Estaria Conosco. Deste modo, qual seria a criança cujo nascimento seria portadora de uma mensagem como esta? Como seria para o rei, contemporâneo de Isaías, que o sinal seria dado, então o nascimento anunciado deveria ocorrer proximamente. Quem foi esta criança? Esta criança foi Ezequias como afirmado muitas vezes, e com boas razões, e nunca Yeshua de Nazareth.

Por outro lado, esta criança é descrita em uma linguagem poético-mítica, concretamente irrealizável. O oráculo abre, portanto, uma perspectiva que segue além do rei em questão. Devido a este oráculo, alguns judeus seguidores de Iehoshua, insatisfeitos com os reis históricos de Israel, passaram a esperar por alguém que satisfizesse a esperança deles. O autor de Mateus, os seus contemporâneos e os cristãos posteriores a eles reconheceram em Iehoshua de Nazaré aquele que realizou plenamente o anúncio de Isaías 7:14, como está escrito em Mateus 1:23, distorcendo assim a profecia feita ao Rei Achaz e para o rei Achaz.

Além da fonte bíblica, citada acima, estes acontecimentos no sentido histórico também podem ser verificados em outras publicações não religiosas.

Finalizando

Concluímos que Isaías 7:14 não se refere a Iehoshua, mas trata-se de um versículo transladado para a época de Iehoshua por vontade do autor do Livro de Mateus (que provavelmente conhecia o livro de Isais) e de seus próprios seguidores descontentes pelo fato do Mashiach ainda não ter aperecido. Desta forma, os seguidores de Iehoshua se encarregaram de transportar o conteúdo do versículo de Mateus 1:23 ao longo dos séculos distorcendo o real contexto histórico de tal forma que atropelou os acontecimentos da época. Versículo distorcido até os dias de hoje, uma distorção que os missionários desejam que os judeus acreditem como verdade.

Os missionários traduzem erradamente e propositalmente em todas as bíblias cristãs a palavra hebraica almah para justificar o nascimento virgem de Ieshoua. Traduzem almah como virgem, quando o correto é moça. Moça pode ser virgem ou não, casada ou não. A esposa do rei Achaz era uma almah (moça) casada e grávida (e não virgem) de Immanuel. (3)Virgem em hebraico é bâtul e virgindade é betulîm e o profeta Isaias diz claramente, almah (moça) e não virgem. Os missionários normalmente trabalham com traduções de terceira para justificar suas distorções.

Notas
1 – Baal Shem Tov
2 – Bíblia Hebraica, David Godorovits e Jairo Fridlin; Editora Sefer, 2006
3 – Dicionário Hebraico Português; Editora Prolog 2002

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